Órfãos do feminicídio
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Órfãos do feminicídio
Por Milena Carvalho
"Minha mãe morreu dormindo, mas não do jeito que todo mundo quer morrer. Ela morreu sufocada." A mãe de Pedro*, 19, foi asfixiada pelo marido até a morte.
Ele e os três irmãos sobreviveram.
"Ela estava com a medida protetiva no bolso de tanto medo. Mesmo assim, foi morta. Não fui ao enterro por falta de coragem mesmo." A mãe de Jeferson*, 21, foi esfaqueada até a morte pelo ex-marido.
Ele e os dois irmãos sobreviveram.
O Distrito Federal é a sexta unidade federativa do Brasil com mais registros de feminicídios.
São dessas mulheres os úteros que geram órfãos. Essas crianças e adolescentes seguem encarando a violência, o trauma, medo e desamparo.
Esta reportagem conta a história de duas famílias de Arapoanga, em Planaltina (DF), que foram devastadas pelo feminicídio. São sete órfãos que buscam superar a morte violenta da mãe, a prisão e o suicídio do pai após o crime.
A cidade a 45km da capital federal registrou nove casos de feminicídio, de 2015 a 30 de setembro de 2022, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública. O local é o quarto com mais casos, atrás, apenas, de Ceilândia (17 casos), Samambaia (15) e Santa Maria (14).

Fonte: Secretaria de Segurança Pública do DF
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